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Emprego

Delfim Netto

18 de abril de 2018

Situação dramática decorre da destruição produzida por voluntarismo econômico e político

Na entrevista dada a esta Folha pelo novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, aos competentes jornalistas Julio Wiziack e Mariana Carneiro, ele mostrou a sua musculatura e o viés da sua “alma mater” FEA/USP quando fez a seguinte afirmação:

“Não adianta ter inflação baixa se não tem emprego. Eu estou bem, vocês estão bem. Estamos empregados e, com a inflação baixa, nosso poder de compra aumentou. Agora, e os outros 12 milhões de pessoas que estão sem emprego? Esse é o lado triste do que foi feito, pois quase 13 milhões de pessoas foram jogadas no desemprego no pico da crise. Como é que se pode ter uma sensação de bem-estar?”

É preciso insistir. A situação dramática em que nos encontramos é consequência da destruição produzida pelo voluntarismo econômico e político a que o país foi submetido a partir de 2012 e, principalmente, na insistência nele quando a economia mostrava que estava entrando num processo recessivo a partir do segundo semestre de 2014. A coroação da tragédia se deu em dois atos.

O primeiro foi a campanha eleitoral para a reeleição na qual todos os “princípios” foram abandonados e a política econômica proposta pelo adversário foi escrachada com um populismo fácil. Garantiu-se que nada estava errado e que, portanto, era só continuar no mesmo rumo para alcançar o “lago azul”.

O segundo foi, com a reeleição conquistada, assumir a política econômica do vencido e entregar a sua execução a um competente economista cujo pensamento era antípoda ao da presidente sem ao menos dar uma explicação aos que a haviam honrado com seu voto.

O resultado foi o aprofundar do desastre entre janeiro de 2015 e maio de 2016, quando foi “impedida”, com um processo que obedeceu ao rito constitucional. Mas o desemprego já se abatia sobre 13 milhões de trabalhadores…

Com a posse do presidente Temer houve uma mudança de 180º na economia que, combinada com sua habilidade política, produziu reformas apreciáveis e o início da recuperação do emprego ainda que mais lenta do que todos desejam.

Infaustos acontecimentos impediram a reforma da Previdência, sem a qual é impossível restabelecer uma administração razoável da economia. Acrescente-se a isso, a extraordinária judicialização da administração pública. A resultante é um Brasil inadministrável.

Um exemplo recente disso é a decisão do Tribunal Superior do Trabalho que transferiu o sindicato dos empregados das concessionárias para o dos Metroviários de São Paulo. Estuporou, alegremente, toda a eficiente gestão privada de um trecho do Metrô, cujo sindicato, a propósito, não obedecia às ordens de acompanhar as “greves políticas” consumadas pelo Sindicato dos Metroviários…

(*) ex-ministro da Fazenda e escreve às quartas-feiras na Folha de S.Paulo – Opinião

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