“Sou pré-candidato a prefeito de Teresina”, diz Henrique Pires, em entrevista ao jornal O DIA

Em entrevista ao Jornal O Dia, o deputado Henrique Pires faz um balanço dos nove meses de mandato e discute o cenário para as eleições do ano que vem.

Ao fazer um balanço nesses nove meses de mandato como deputado estadual, Henrique Pires, do MDB, reafirma para O DIA o seu compromisso em trabalhar para ser o melhor parlamentar, tendo em vista sua experiência nas áreas de atuação como profissional da engenharia, do direito e da agropecuária. E como resultado tem projetos apresentados na Alepi nos setores como da odontologia, da segurança pública e do direito do consumidor. Ele também questiona a não aplicabilidade de algumas leis existentes e fala da experiência que teve como vereadorda Capital e de atuação no executivo quando comandou órgãos nacionais, a exemplo da presidência da Funasa. Destaca a participação de sete emedebistas piauienses na direção nacional do partido e, no Piauí, o trabalho da sigla é para eleger o maior número de vereadores e prefeitos nas eleições de 2020. E que continua como pré-candidato a prefeito de Teresina, uma vez que teve quase oito mil votos na capital, é MDB de raiz, do MDBJovem, Sindical e que está hoje no Ambiental e que não responde a processo nenhum.

O senhor está há pouco mais de nove meses no mandato de deputado estadual. Qual balanço o senhor faz desses meses de mandato?

Na campanha eu sempre dizia: não sei se serei o melhor deputado estadual mas que vou trabalhar para ser, eu vou. É óbvio que a experiência do primeiro mandato a gente não consegue desenvolver tudo aquilo que temos em mente, mas na minha área, da engenharia, do Direito, da agropecuária. Ainda lembro como se fosse hoje, eu construindo o meu primeiro chiqueiro de bode, buscando muita água em uma coisa que vou propor na Assembleia e que as pessoas não sabem o que é, a cangalha e ancoreta, que é aquele negócio de borracha que a gente coloca água do poço e levar para casa. Então, a experiência do campo quando pequeno, campeando gado, ordenhando, ajudando a ferrar e depois com meu pai, produzindo no cerrado, me levou para esse lado da agropecuária. Agora, o conhecimento jurídico ajuda muito, sou vice-presidente da comissão de Constituição e Justiça, sou membro da de Infraestrutura, como engenheiro isso é fundamental. Temos projetos aqui na área da odontologia, da segurança pública, do direito do consumidor, mas não só a questão de projetos, mas de ver as leis que eram para ser cumpridas e não estão sendo, por exemplo, protocolei um projeto para melhorar a segurança nos caixas eletrônicos, naqueles Pontos de Auto Atendimento. Existe uma lei do ex-governador Hugo Napoleão, de 2002, que estou questionando a secretaria específica da Prefeitura de Teresina e questionando o Ministério Público para saber o que essa lei produziu de benefício para a sociedade nos últimos 17 anos. Até onde eu sei, não conheço nenhum banco que tenha pago uma multa ou coisa parecida. Vejo agora mesmo a questão do direito do consumidor, onde o piauiense não tem muito conhecimento dos seus direitos enquanto consumidor, que é outro foco nosso na Alepi. Então resumindo, vejo que o dia deveria ter 48 horas ao invés de 24, pois não conseguimos estar nas secretarias brigando pelas ações do município, estar na sessão, na comissão e estudando projeto de lei. É claro que temos uma assessoria jurídica mas o ideal é que pudéssemos, nós mesmo, estar lendo e estudando essas leis, foi para isso que eu vim para a Assembleia.

Apesar desta ser sua primeira experiência no legislativo estadual, você já tem passagens pelo parlamento de Teresina e no poder Executivo, inclusive comandando órgãos nacionais. De que forma isso ajuda no desempenho do seu atual mandato na Assembleia? Ou são atribuições muito diferentes?

Ajuda muito pela questão do direito administrativo, por exemplo, fui vereador de Teresina em 2001, então já tenho a experiência parlamentar na capital. Audiências públicas, como da Adutora do Sertão, quem colocou o dinheiro para ela, a pedida de estudo e do senador Elmano na época, foi Henrique Pires enquanto presidente da Funasa. Os 100 planos municipais de saneamento básico que o Estado está fazendo foi eu enquanto presidente, então minhas ações no serviço público federal em Brasília estou aproveitando meu mandato para dar potencialidade a esse trabalho, na briga pelo saneamento, nas ações para Teresina que trouxe, quase R$ 200 milhões para a drenagem, para o Lagoas do Norte, para a construção daquele complexo de 1.021 residências que está sendo feito no Parque Brasil, teve a minha participação. No mandato de deputado estadual brigando pelas ações da minha base, mas também as ações macro, que atende a várias pessoas, inclusive as que não votaram em mim, uso do mandato para haver o devido cumprimento e o processo legal para que as obras estejam prontas para atender à comunidade.

O senhor preside a Frente Parlamentar da Agropecuária, um importante setor da economia piauiense. Como tem sido os trabalhos desse grupo para estimular o desenvolvimento desse segmento no Estado?

Teremos hoje (quinta-feira, 10) a primeira reunião, junto com as Câmaras Setoriais, como a da suinocultura, avicultura, fruticultura, do agronegócio, do leite, do caju, do caprino, do ovino, da piscicultura, da apicultura. Estamos reunindo todas elas para tratar de demandas específicas. Nossa alegria é que estávamos querendo a lei da regularização fundiária, então vários projetos foram encaminhados pelo Governo após a criação da Frente. Conseguimos manter dez colegas deputados estaduais durante quase quatro horas em um evento de fundação, junto com o pessoal da soja e do milho. Agradeço muito a Deus e a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que por onde eu passo eu posso retornar. Essa Frente já traz resultados, o debate aumentou e o Governo tem inclusive chamado mais para reuniões o pessoal da soja e do milho e com isso teremos os outros setores também. A reunião de hoje é exatamente para fortalecer. Nos próximos dias estarei assumindo a Secretaria geral da Associação Nacional dos Agropecuaristas, uma entidade que tem quase 12 anos, fundada no estado de Goiás e que os amigos que me conhecem em Brasília me convidaram para fazer parte.


“As minhas ações no serviço público federal em Brasília estou aproveitando meu mandato para dar potencialidade”


Um dos episódios recentes de maiores debates na Assembleia foi a questão da votação da autorização para Governo contrair novos empréstimos. Na oportunidade, a oposição questionou alguns itens da mensagem. Como o senhor avalia a operação de crédito tomada pelo Governo?

Primeiramente, que o empréstimo vem para investimentos em infraestrutura, para antecipação de precatórios e renegociação da dívida. Tudo que está sendo feito aqui está dentro da legalidade. É um direito do Executivo propor e a Assembleia dá a chancela e fiscaliza também. Acredito que no momento de crise que o país vem enfrentando a muito tempo, essa solução não só para o Piauí. O município de Fortaleza está pegando mais de R$ 3 bilhões em empréstimos, então nos perguntamos: é bom pegar dinheiro emprestado? Não, mas só pegamos quando tem necessidade, seja uma empresa, pessoa física ou o Estado. É justo que a gente, tendo capacidade de pegar empréstimo, fiquemos esperando cinco ou seis anos, fazendo economia, para fazer uma estrada, terminar uma maternidade, como está sendo colocado dinheiro do Finisa I nessa nova maternidade que está sendo construída em Teresina? Vamos esperar dez ou quinze anos, fazendo uma poupança, para atender a população? É uma opção do Governo do Estado, fazer esse empréstimo. Inclusive, essas ações ajudam na cadeia produtiva, os produtores de soja estão precisando de estrada, pois estão tendo queda na produtividade e esse empréstimo vem para ajudar nesse sentido, porque aumentando a produtividade será pago mais imposto, aumentando a arrecadação, então qual é a regra de tomar emprestado? Não é bom, mas se há capacidade de endividamento, que se tome emprestado.

O MDB elegeu recentemente sua nova diretoria nacional com a participação de muitos piauienses. Como o senhor avalia a participação desses membros locais neste momento de renovação do partido?

Se você pegar a proporcionalidade, o MDB do Piauí ficou bem contemplado. Só temos um deputado federal e um senador mas ficamos com sete vagas no diretório nacional. Eu, João Henrique, Themistocles, Marcos Aurélio, Marcelo Castro, Liziê e Aberlado. Se pegarmos outros estados, com até mais deputados federais, ficaram com menos. O que significa isso? A amizade que temos que o MDB de São Paulo, eu mesmo estou em uma vaga referente ao estado paulista. Nossa forte ligação com o MDB de São Paulo não é da época de Michel Temer não, é do período de Orestes Quércia, da campanha de Mão Santa em 1994. Ele foi fundamental para que Mão Santa fosse eleito governador do Piauí, então essa renovação com Baleia Rossi é importantíssima, ele é um amigo nosso. Vemos a importância de uma pessoa da minha idade, 47 anos, ser presidente nacional de um partido que está em todos os estados e que apesar de ter tido um baque grande na eleição passada para deputado federal, tem 100 deputados estaduais, tem o maior número de prefeitos e vereadores. As pessoas pensam que o partido vai se acabar, mas não, vamos de novo fazer o maior número de prefeitos, vereadores e de deputados estaduais. Temos na Executiva Marcelo Castro como tesoureiro nacional, então o MDB do Piauí, a bem da verdade estamos contemplado por tabela, porque foi uma indicação do Senado, pela sua experiência, vejo com ótimos olhos. Quarta-feira (16) tenho uma reunião em Brasília com o Baleia Rossi tratando da estruturação do partido.

O senhor citou o planejamento do MDB para eleger mais parlamentares. Como está essa discussão no Piauí, principalmente tendo em vista a mudança na legislação eleitoral que impede coligações proporcionais?

Vereador é “bicho” que sofre. Ele foi a cobaia para eleição curta e agora para a não coligação, então os partidos precisam se fortalecer. As “siglas de aluguel” e que não tem uma base forte não irão sobreviver. Qual o partido mais enraizado no Piauí em termos de diretórios municipais? MDB, PT e depois o PSDB, porque temos diretórios municipais. Muitos partidos tidos como grandes é tudo comissões provisórias e o presidente Bolsonaro cometeu um erro muito grave no meu entendimento, ao permitir essas provisórias por mais oito anos, isso foi muito ruim para os partidos que fazem política mais séria. O MDB que tem com esses diretórios vamos ter um bom desempenho, apesar de ter perdido muita gente e o senador Marcelo Castro tem obrigação de chamar, eu mesmo tenho feito isso. Por exemplo, estamos agora montando um diretório no município onde o MDB nunca esteve, que é em Betânia do Piauí. Com ideias, com a Fundação Ulysses Guimarães e nossos cursos, que são os melhores entre todos os partidos do Brasil, com presença, propostas e briga por obras e ações, vamos aumentar nosso número de prefeitos e vereadores.


“Não tem nenhum fato novo que faça com que eu não mantenha a minha pré-candidatura a prefeito de Teresina”


O senhor tem um bom relacionamento com o deputado Themístocles Filho, que tem defendido a pré-candidatura do ex-deputado Dr. Pessoa à Prefeitura de Teresina, cargo para o qual o senhor também anunciou intenção de disputar. Como estão as conversas em relação a essa disputa interna do partido?

Qualquer filiado do MDB, aliás, a lei diz hoje que com seis meses antes a pessoa se filia e pleiteia a candidatura. O presidente Themístocles é um amigo, tem a ideia de apoiar o Dr. Pessoa e o Henrique Pires é um homem que já foi vereador, é engenheiro, deputado estadual, teve quase oito mil votos na capital, é MDB de raiz, do MDB Jovem, Sindical e que está hoje no Ambiental e que não responde a processo nenhum. Então, uma das coisas que o teresinense quer é uma pessoa honesta e de mãos limpas, e eu, graças a Deus, as tenho. Então tenho esse direito, respeito o posicionamento de A, B ou C mas é um direito meu. Não tem nenhum fato novo que faça com que eu não mantenha a minha pré-candidatura a prefeito de Teresina, minhas pesquisas qualitativas são muito boas, nas quantitativas tem gente que não sabem nem quem eu sou, nem que sou deputado estadual. Porque o companheiro Pessoa tem um recall bom? Porque ele já disputou o governo e a prefeitura. Respeito o presidente Themístocles, ele me respeita e assim o MDB cresce.

O senhor pretende levar essa pré-candidatura até as convenções partidárias do ano que vem?

Não vou disputar a convenção. Só disputo as convenções se as pesquisas demonstrarem que sou melhor que o Dr. PEssoa, tenho que ter bom senso. Sou engenheiro, tenho que ter bom senso. Temos pesquisa e meu grupo. Tive o apoio de 15 prefeitos e eles dizem: “Henrique, não vá ser prefeito de Teresina não”, e eu respondo que mandato de vereador, deputado estadual e federal você decide a sua vida, mandato majoritário são várias forças, é um desígnio de Deus, não é dizer que quer ser. Na época em que se podia gastar o dinheiro que quisesse, tínhamos o Mara Matos, o homem mais rico do Brasil e que queria ser presidente e não adiantou, porque não deu. Isso são conjecturas, Bolsonaro nunca imaginou ser presidente e virou, então muitas vezes você está em baixo nas pesquisas, nem aparece, dá um boom e sobe. Como é que você cresce nas pesquisas e se mantém? Se você tiver qualidades de gestor. Fui presidente da Funasa duas vezes, secretário Nacional de Turismo, secretário de saneamento, fui vereador e tenho o que mostrar, em Teresina e no interior. Sou honesto, minhas ações até hoje não houve questionamento algum, ressaltando que como advogado sei que ser processado não é demérito nenhum, demérito é ser condenado. Tenho muita capacidade, como engenheiro e como deputado, mas quem sofre com isso? A família. Político quando trabalha direito quem mais sofre é a família. Então essa situação será resolvida mais na frente, se surgir um fato novo a gente chama minha base eleitoral, minha família e decidimos, agora uma coisa eu lhe garanto. Henrique Pires como prefeito de Teresina poderia não ser o melhor, mas seria um dos melhores de toda história dessa cidade, onde eu moro, casei, tenho filhos e desenvolvido minha vida profissional.

Por: Breno Cavalcante, do Jornal O Dia

Foto: Elias Fontinele/O Dia

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