O Movimento Democrático Brasileiro nasceu em um ambiente sufocante, marcado pelo bipartidarismo imposto pela ditadura. Não nasceu para ser confortável. Nasceu para ser necessário.
Era a oposição possível num Brasil em que a democracia havia sido mutilada. Desde o início, foi um espaço real de atuação política, um lugar onde ainda era possível organizar ideias, lideranças, resistência.
O MDB reuniu uma geração inteira de grandes quadros, e nomes como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães estiveram entre os melhores daquele tempo.
Ulysses tinha base, disposição, vocação. Faltava o essencial: um espaço aberto, sem dono, onde pudesse atuar com liberdade.
Foi no MDB que encontrou esse ambiente. Cresceu porque teve oportunidade para agir e respondeu ao seu tempo com coragem e responsabilidade.
Não chegou como símbolo. Tornou-se porque havia um partido capaz de acolher, confiar, permitir.
Essa lógica explica por que o MDB atravessou décadas e ajudou a construir a democracia brasileira.
Foi decisivo na transição, na Constituinte, na reorganização institucional da República.
Foi grande quando foi útil. Foi relevante quando abriu espaço e organizou respostas.
O desafio aos 60 anos é outro. Não é olhar para trás. É olhar para fora e para a frente.
Há hoje no Brasil inúmeras lideranças fora dos partidos, com disposição pública, espírito de serviço, vontade de contribuir, ainda sem encontrar ambiente político sério onde atuar.
O MDB sempre foi esse lugar de entrada. Precisa continuar sendo.
Ninguém vive de passado. Camisa não ganha campeonato. O passado ensina, inspira, orienta, mas não resolve a fila no posto de saúde, não melhora a escola pública, não gera emprego, não organiza a segurança, não devolve eficiência ao Estado.
O MDB se tornou parte da vida brasileira porque combinou duas coisas essenciais: abertura e solução.
Oportunidade para quem quer fazer política com seriedade. Solução para os problemas reais da sociedade.
Esses problemas são claros. Minas Gerais convive com gargalos em infraestrutura, logística, saneamento.
O Brasil enfrenta desafios em educação, produtividade, segurança pública. A transição energética, o envelhecimento da população, a revolução tecnológica exigem capacidade de planejamento e execução que o Estado ainda não entrega.
O MDB só fará sentido se estiver conectado a esses temas com execução, método, proposta. Sem arredar o pé da defesa da democracia.
O MDB não tem dono. Não é conduzido por uma vontade única. É institucional, estruturado e aberto.
A liderança nacional de Baleia Rossi e a condução em Minas Gerais por Newton Cardoso Júnior demonstram isso na prática.
Essa abertura precisa ser sustentada com formação. A Fundação Ulysses Guimarães cumpre papel decisivo. Forma, organiza, prepara. Não é apenas memória. É método. É qualificação de quadros.
Eu vivi isso. Eu me filiei ao MDB em 2024, fui acolhido, disputei a prefeitura no mesmo ano.
Em 2026, eu me apresento como pré-candidato ao governo de Minas Gerais com dois anos de filiação. Isso não é comum. Isso só acontece onde existe abertura real.
Em pouco tempo, assumi a presidência do diretório do MDB em Belo Horizonte e também da Fundação Ulysses Guimarães em Minas Gerais. Aqui, quem pretende fazer política encontra um ambiente para isso.
Sigo defendendo candidaturas independentes. Em uma democracia madura, ninguém deveria ser obrigado a se filiar a um partido para disputar eleições.
Ao mesmo tempo, partidos precisam ser reais. Não podem ser cartórios eleitorais. Precisam ter formação política, propósito público, vida interna.
O MDB não pretende ser perfeito e tem consciência de seus defeitos. Ainda assim, continua sendo o melhor exemplo entre os partidos brasileiros porque respeita as diferenças e sabe administrá-las.
Aos 60 anos, o MDB precisa reafirmar sua razão de existir: abrir espaço, formar lideranças, oferecer soluções.
Ulysses foi um entre muitos grandes nomes. Tornou-se maior porque encontrou um partido aberto e um Brasil que precisava de resposta.
É isso que precisa acontecer outra vez.