MDB, 60: por que não somos centrão

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Por: Baleia Rossi
Deputado federal por São Paulo, e presidente nacional do MDB desde 2019

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) completa 60 anos de fundação neste 24 de março. É o partido mais longevo da era republicana, que mantém o maior número de filiados e mandatários eleitos. Ainda assim, há quem minimize essa trajetória, com narrativas como “partido sem ideologia”, “centrão”.

O MDB nasceu em 1966 sob ataques da ditadura militar e da esquerda radical, que preferia a luta armada em vez do confronto no parlamento. Já os militares apostaram que os emedebistas seriam meros coadjuvantes da farsa que insistiam em chamar “de revolução”, o partido do “sim” contra o partido do “sim, senhor (Arena)”.

Como escreveu Franco Montoro em 1966, o MDB decidiu ser o partido do “Não”. “Não aos agitadores e subversivos de direita ou esquerda; não às medidas de exceção e de poder pessoal, que violentam as bases da democracia e ofendem os direitos da pessoa humana”, dentre outros.

Em 1970, após a grande derrota da sigla na eleição legislativa, houve quem defendesse a autodissolução do MDB. Àquela altura, o partido já havia sido fraturado pelo AI-5, que cassou até mesmo o mandato do líder do partido na Câmara, o então deputado Mário Covas. Mas a maioria decidiu resistir.

A partir de 1971, Ulysses Guimarães assumiu a presidência do MDB, e soube equilibrar a moderação necessária para manter a sigla viva com a ousadia do grupo Autênticos, que defendia o confronto mais direto. Esse equilíbrio resultou na anticandidatura presidencial de 1974, uma ideia dos Autênticos colocada em prática por Ulysses.

A primeira grande vitória do MDB veio naquele ano mesmo, com a conquista de 16 das 22 cadeiras em disputa no Senado. Três anos e meio depois, a ditadura reagiu com o “Pacote de Abril”, e dois anos depois com a ordem para extinguir o bipartidarismo, obrigando o MDB a adotar o “P”.

O pluripartidarismo não impediu o partido de se tornar a maior força política naquele momento. Em 1981, o MDB apresentou um programa para o País chamado “Esperança e Mudança”. Faria isso outras vezes. As duas mais recentes, com “Uma Ponte Para o Futuro”, de 2015, e o “Caminhos para o Brasil”, de outubro passado.

Em momentos-chave do País, o MDB não hesitou em sentar à mesa com quem pensa diferente. Em 1984, após a perda da emenda das Diretas Já, trouxe José Sarney (então no PDS, ex-Arena) para a chapa de Tancredo Neves.

Mesmo com enormes desafios na economia, Sarney conduziu a redemocratização e instituiu programas sociais, como o Sistema Único de Saúde (SUS). Nem sempre concordou com Ulysses Guimarães na elaboração da Carta de 1988, mas respeitou o conteúdo do seu texto final que mereceu o título de Constituição Cidadã.

No governo FHC, nomes do MDB atuaram como relatores do Plano Real. No primeiro governo Lula, o partido não hesitou em apoiar o Bolsa Família, por exemplo. Diante da maior crise econômica dos últimos anos, o partido apoiou o presidente Michel Temer em projetos que salvaram o país da bancarrota, e estavam descritos na “ponte”.

Ainda assim, há quem defina o MDB como “partido sem ideologia”, “sem programa definido”. Esquecem que a principal proposta na economia debatida no Congresso, nos últimos oito anos, foi a reforma tributária apresentada por mim, presidente nacional do MDB. Esquecem também de propostas como o Pé de Meia, que foi criado a partir de um projeto do governo Renan Filho, em Alagoas. Ou da COP30 em Belém, proposta por Helder Barbalho, do Pará.

Nada disso vem de quem a imprensa chama de “centrão”. O MDB sempre foi (e é) o verdadeiro centro. Desde 1966, quando 141 deputados e 21 senadores escolheram o caminho da democracia em meio à ditadura e à luta armada. Porque sabia-se que a retomada democrática se daria pela conquista do apoio do povo brasileiro, que é plural e diverso a depender da região do País.

O MDB expressa esse pluralismo, essa diversidade. Que venham mais 60 anos.

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