O MDB e os Pequenos Aprendizes da Esperança

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Por: José Fogaça

O MDB foi fundado em 1966. Neste ano de 2026, portanto, completa 60 anos de existência.

Ao celebrarmos esses 60 anos, ocorre-me lembrar os fatos de contexto histórico que marcaram esse tempo. O ano fatídico para a minha geração veio a ser o ano de 1968, o ano que marcou e definiu a visão de mundo de milhões de jovens que frequentavam os bancos das escolas e das universidades.

Após a instalação do Ato Institucional nº 5, o famigeradoAI-5, que deu poderes ilimitados e ultra-autoritários ao governo militar, surge em 1968 no horizonte do Brasil uma grossa nuvem de temor e desesperança. O Brasil havia tristemente sucumbido à ditadura. E dificilmente dela sairia.

Não por outra razão, 1968 foi chamado “o ano que não terminou”.

Foi um tempo em que os efeitos de um mundo em acelerada mutação pairavam sobre a juventude do planeta. Um novo sistema de valores, que atingiam em cheio conceitos tradicionais relacionados à família, ao princípio da autoridade, às relações interpessoais, ao casamento, à liberdade individual, aos direitos femininos e – enfim – à vida como um todo, instalou-se nas camadas médias dos grandes centros urbanos do mundo.

Uma transformação global que acabou por desmontar, irreversivelmente, todas as cidadelas de resistência que se apegavam a uma estrutura social e familiar de caráter patriarcal e autoritário.

Foi a eclosão de um novo tempo, de novas expectativas e grande anseio de liberdade. No Brasil, esse iniludível movimento internacional de mudanças encontrou grande repercussão. No Rio de Janeiro, a passeata dos 100 mil ecoou a manifestação de maio de 68 em Paris.

As expectativas da juventude estudantil brasileira, no entanto, aqui esbarravam no enrijecimento do regime militar e na onda de prisões, cassações, torturas e desaparecimentos que se seguiram à instalação do Ato Instittucional nº 5.

Formou-se, gradativamente, lembro bem, principalmente nos bancos universitários, em todo o país, uma onda de negativismo, rebeldia e descrença. O MDB, único partido de oposição, acabou virando alvo de um
grande movimento de protesto seguido de uma traumática abstenção eleitoral.

Quando chegaram as eleições de 1970, não apenas os jovens (e eu estava entre eles), mas grande parte da população não compareceu às urnas ou votou em branco. O resulltado foi desastroso. O partido de sustentação do governo militar obtivera, com a ausência de grande parcela da oposição, esmagadora vitória nas urnas. As esperanças afundaram ainda mais. Vimos o grande erro que havíamos cometido com a campanha do voto em branco.

Em maio de 1973, porém, Ulysses Guimarães, num gesto imprevisto, carregado de ousadia e coragem, surpreende a nação. Enfrentando o jogo de cartas marcadas, resolve desafiar o regime, com inusitada campanha: a de anticandidato à Presidência da República, pelo MDB.

Algo novo e inesperado acontece: a anticandidatura de Ulysses, ainda que um simbólico ato de protesto, consegue mexer com os brios da nação. Nas eleições de 1974, o MDB vira o jogo. Elege a maioria dos senadores e equilibra a força da oposição na Câmara dos Deputados. A descrença geral começa a ser vencida. O Brasil começa a despertar para um novo tempo de luta.

Corta para maio de 1978.

Imagens do Fantástico, em um daqueles domingos, mostravam a figura impávida de Ulysses Guimarães enfrentando, de peito aberto, com enorme destemor físico, as forças policiais de repressão, na Bahia. Soldados e cães foram colocados no caminho do presidente do MDB para tentar impedi-lo de participar de uma manifestação.

A PM cercou a praça. Ao todo, eram 400 homens armados, 30 viaturas e dezenas de cães. É então que Ulysses cunha uma de suas mais emblemáticas frases: “Soldados da minha pátria!…Baioneta não é voto e cachorro não é urna.”

Era hora de participar da luta. Era hora de correr todos os riscos e vencer todas as adversidades. Todos poderíamos ser artífices da mudança, cada um poderia fazer sua parte. No meu caso, tomei a resolução de deixar para trás a sala de aula e assumir o mandato de deputado estadual, que se tornou a minha mais importante trincheira e mudou a minha vida para sempre.

Minha geração, massivamente, rejeitou todas as formas de violência e teve como arma sempre a palavra, a razão e o sonho pacífico da democracia.

No dia 5 de outubro de 1988, a promulgação da Constituinte foi o momento culminante da trajetória do MDB. E o foi, também, para muitos dos jovens de toda uma geração, que, como eu, tornaram-se pequenos aprendizes da esperança. E passaram a acreditar que a luta valeria a pena, apesar de todas as ameaças e todos os riscos: um dia a democracia haveria de voltar ao Brasil.

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